Yoga, Meditação e Japa Sadhana


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Yoga, Meditação e Japa Sadhana
Swami Krishnananda

Yoga, Meditação e Japa Sadhana Publicado pela The Divine Life Society, Rishikesh, Índia.
Para livre impressão e distribuição
Todos os direitos reservados à The Divine Life Society Trust © http://www.divinelifesociety.org
http://www.swami-krishnananda.org Tradução em Português
http://www.sivanandabrasil.com.br
Imagem de Capa, Cortesia da NASA/JPL-Caltech

“ Tenha um novo ângulo de visão. Arme-se com discriminação, alegria, discernimento, vivacidade e espiríto compreensivo. Um futuro brilhante e
glorioso está esperando por você. Deixe o passado ser enterrado. Você
pode realizar milagres. Você pode fazer maravilhas. Não desista da
esperança.”
Swami Sivananda

"Prática espiritual é para ser um movimento de um estado de alegria para outro estado de alegria.
Da bem-aventurança o mundo veio, na bem-aventurança ele é localizado, e para bem-aventurança ele retornará um dia. Alegria é o início desta criação, alegria é o que sustenta este mundo e alegria é também o ponto culminante e anseio final deste mundo."
Swami Krishnanada

Sua Santidade Sri Swami Sivananda Saraswati Maharaj Nascido no dia 8 de setembro de 1887, na ilustre família do Sadú Appayya Dikshitar e muitos outros renomados santos e sábios, Sri Swami Sivananda tinha uma tendência natural para uma vida devotada ao estudo e prática do Vedanta. Adicionado a isto, estava sua avidez nata em servir a todos e um sentimento íntimo de unidade com toda humanidade. Sua paixão pelo serviço o levou para a carreira médica, e logo ele mudou-se para onde ele achava que seu serviço era mais necessário. A Malasya reinvidicava por ele. Antes ele havia sido o editor de um Jornal da Saúde e escreveu extensivamente sobre problemas de saúde. Ele descobriu que as pessoas precisavam de conhecimento correto mais do que tudo; disseminação deste conhecimento ele adotou como sua própria missão. Foi por uma dispensa divina e uma bênção de Deus sobre a humanidade que o doutor do corpo e mente renunciou sua carreira a adotou uma vida de renúncia para qualificar-se para ser um sacerdote da alma do homem. Ele estabeleceu-se em Rishikesh em 1924, praticou austeridades intensas e brilhou como um grande Yogi, santo, sadú e Jivanmukta1. Ele habitava uma pequena cabana, vivia apenas de pão e água do Ganges e mesmo durante o gelado inverno dos Himalayas, ficava submerso até a cintura no Rio Ganges fazendo sua prática matutina de Japa2. Swamiji visitava regularmente as cabanas dos Sadús, dos quais cuidava com carinho, lavando seus pés e feridas a alimentando-os com a comida que ele pedia. Muitas vezes ele carregava pessoas doentes em suas costas até o hospital ou fazia vigília durante a noite ao lado da cama de um sadú doente. Em 1927 ele iniciou um dispensário caritativo. Ele servia aos peregrinos e via Narayana3 neles. Em 1932 ele iniciou o Sivanandashram. Em 1936 nasceu a The Divine Life Society. Em 1948 a Vedanta-Forest Academy foi organizada. Disseminação de conhecimento espiritual e treinamento de pessoas em Yoga e Vedanta era o alvo e objetivo. Em 1950 ele empreendeu um tour relâmpago da Índia e Ceylon. Em 1953 convocou um “Parlamento Mundial das Religiões”. Ele é o autor de mais de 300 volumes e possui discípulos em todo o mundo, pertencendo a todas as nacionalidades, religiões e credos. Ler seus trabalhos é beber a Fonte de Sabedoria Suprema. Em 14 de Julho de 1963 ele entrou em Mahasamadhi4.
1 Aquele que libertou-se em vida do ciclo de nascimentos e mortes (samsara), atingindo a Unidade com Deus. 2 Ver parte 2 deste livro, Japa Sadhana. 3 A Suprema Divindade. 4 Grande Samadhi, momento no qual um Yogi liberto abandona conscientemente o seu corpo físico.
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Sua Santidade Sri Swami Krishnananda Saraswati Maharaj
O venerado Sri Swami Krishnanandaji Maharaj nasceu em 25 de abril de 1922 e recebeu o nome de Subbaraya. Ele era o filho mais velho de uma família de cinco crianças de uma família Brahmin5 altamente religiosa e ortodoxa, bem versada na linguagem Sânscrita, influência a qual foi muito profunda no jovem menino.
Ele cursou o ensino médio em Puttur (Sul do Distrito de Kanara, estado de Karnataka) e foi o primeiro aluno de sua classe em todas as matérias. Não satisfeito com os ensinamentos da sala de aula, o jovem Subbaraya aplicou-se ao zeloso estudo autodidata de Sânscrito com a ajuda de Amara-Kosa e outros textos das escrituras. Ainda enquanto menino ele estudou e memorizou todo o Bhagavad Gita6, e seu método simples de fazê-lo era não tomar ser café da manhã ou mesmo almoço até que um número prescrito de versos não houvesse sido memorizado. Desta forma em poucos meses Subbaraya memorizou o Gita por completo e o recitava inteiro, todos os dias. Tamanha era sua avidez em estudar as escrituras. Lendo no Srimad Bhagavata7 que o Senhor Narayana vive na sagrada Badrinath Dham, o jovem menino literalmente acreditou e entreteve um desejo pio de ir aos Himalayas, onde Badrinath é localizada, e lá ver o Senhor.
Através do estudo de obras em Sânscrito como o Bhagavad Gita, os Upanishads, etc, Subbaraya foi se enraizando mais e mais na filosofia Advaita8 de Shankaracharya9, apesar de pertencer a tradicional seita Madhva a qual segue a filosofia do dualismo. Seu forte desejo interno pela experiência Adváitica e renúncia cresceram cada vez mais fortes a cada dia. Em 1943 Subbaraya iniciou seu serviço ao governo em Hospet no Distrito de Bellary, o qual, todavia não durou muito. Antes do final do mesmo ano ele foi para Varanasi, onde ele estudou os Vedas e outras escrituras. Mas o desejo pela reclusão e o desconhecido chamado do Mestre o puxaram para Rishikesh, e ele chegou lá no verão de 1944. Quando ele conheceu Swami Sivananda e caiu em reverência ante a ele, o santo disse: “Fique aqui até a morte; Farei reis e ministros caírem aos seus pés.” A profecia da afirmação do santo tornou-se realidade para este jovem rapaz o qual se perguntava como isto haveria de acontecer. Swami Sivananda iniciou o jovem Subbaraya na sagrada ordem do Sannyasa no sagrado dia de Makara-Sankranti, o dia 14 de Janeiro de 1946, e ele recebeu o nome de Swami Krishnananda.
Sri Gurudev Swami Sivananda percebeu que Swami Krishnananda era adequado para os serviços de correspondência, redação de cartas e mensagens e até assistência na compilação e edição de livros. Mais tarde, Swamiji recebeu o trabalho de datilografar os manuscritos de Sri Gurudev, os quais ele costumava trazer-lhe diariamente. Por exemplo, o volume completo dos Brahma Sutras de Sri Gurudev, o qual ele escreveu à mão, foi datilografado por Swami Krisnananda. Ele se confinou em grande parte ao trabalho literário e nunca teve nenhum tipo de relacionamento com os visitantes, de modo que pessoas que vinham de fora nunca sabiam da
5 Bramin é a casta Hindú a qual pertencem os sacerdotes, monges e padres.
6 Bhagavad Gita ou “Canção do Senhor” é uma das mais reverenciadas escrituras Hindús. Comunmente conhecido como “Gita”, foi escrito em forma de poema, um diálogo entre Krishna e seu discípulo Arjuna, em meio ao campo de batalha de Kurushetra. É considerado a essência dos Vedas, o corpo de literatura IndoAriana, considerada pelos Hindús como o conhecimento revelado por Deus.
7 Srimad Bhagavata também conhecido como Śrīmad Bhāgavatam é um dos Puranas, parte da literatura Hindú, com foco em Bhakti, ou devoção, onde o Senhor Vishnu ou Krishna é considerado o Deus que tudo permeia.
8 Advaita, em sânscrito traduzido como “não-dual”, escola filosófica do Hinduísmo a qual lida com o conhecimento do indivisível Ser ou Atma. O grande expoente do Advaita Vedanta resume o ensinamento em: “ Somente Brahman é real; este mundo é irreal; o Jiva ( alma individual ) é idêntico com Brahman ( a Realidade Absoluta, Deus).”
9 Adi Shankarachyara nasceu no ano de 788 d.C. e foi o grande promotor do crescimento do Hinduísmo através de sua filosofia não-dual. Foi o grande reformador da ordem dos Swamis. Um Avatara (encarnação Divina) que em apenas 32 anos de vida fundou quatro monastérios nos quarto cantos da Índia e deixou uma vasta riqueza filosófica através de seus ensinamentos.
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existência dele no Ashram10. Foi no ano de 1948 que Gurudev pediu ao Swamiji para fazer mais trabalhos como escritor de livros em filosofia e religião, o qual ele aceitou com grande entusiamo. Pode-se afirmar seguramente que deste ano para frente, Swamiji estava mais absorto em escrever e conduzir aulas, palestras, etc, conforme as instruções de Gurudev. O primeiro livro que Swamiji escreveu foi “A Realização do Absoluto” o qual foi escrito em meramente 14 dias e ainda continua sendo seu melhor livro – terso, direto e estimulante.
Quando tornou-se necessário para o Ashram cooptar assistência de outros membros no trabalho administrativo, Swami Krishnananda foi solicitado para colaborar com o Comitê de Trabalho o qual foi formado em 1957. Nesta época Swamiji tornou-se o Secretário especialmente envolvido com a administração financeira. Isto continuou até 1961 quando, devido a ausência por um período prolongado do Secretário Geral, Gurudev nomeou Swamiji como Secretário Geral da Divine Life Society, posição na qual Swamiji permaneceu até 2001. Pode-se afirmar seguramente que na história da Divine Life Society ninguém nunca permaneceu, nem provavelmente permanecerá, nesta responsabilidade de Secretário Geral por quarto décadas.
Pode-se mencionar para créditos de Swamiji, sem medo de exageros, que é Swami Krishnananda, o gênio e mestre das escrituras, quem sozinho expôs praticamente todas as grandes escrituras do Vedanta. Estes discursos foram dados na Yoga-Vedanta Forest Academy durante as sessões matutinas, aulas da parte da tarde e cursos regulares de três meses. Muitos deles foram compilados em livros e são comentários autênticos que cobrem a filosofia, psicologia e prática das várias disciplinas do Yoga. Swami Krishnanada é desta forma, o autor de aproximadamente cinquenta livros, cada um uma obra de arte. Somente um gênio do calibre do Swamiji poderia realizar isto em meio ao enorme volume de trabalho como o Secretário Geral de uma grande Instituição. Swamiji é uma rara mistura de Karma11 e Jnana12 Yoga, um exemplo vivo dos ensinamentos do Bhagavad Gita.
Tal era a habilidade literária e compreensão de Swami Krishnananda em toda gama de obras de Swami Sivananda, as quais chegam a cerca de trezentas, que quando o Instituto de Pesquisa Literária Sivananda foi formado em 8 de setembro de 1958, o próprio Sri Gurudev nomeou Swamiji como o Presidente. Novamente foi Swami Krishnananda nomeado Presidente do Comitê Sivananda de Disseminação Literária, o qual foi formado para produzir traduções das obras de Sri Gurudev nas principais línguas Indianas. Em setembro de 1961, Swamiji foi nomeado como Editor do boletim mensal oficial, “The Divine Life”, função a qual exerceu eficientemente por quase duas décadas.
Swami Krishnananda foi um mestre em praticamente todos os sistemas de pensamento Indiano e filosofias Ocidentais. “Muitos Sankaras então condensados em um Krishananda”, disse Sri Gurudev em uma declaração secreta, a qual ele mesmo ampliou em seu artigo, “Ele é uma Maravilha para Mim!”
Swamiji viveu em consciência Divina e guiou inúmeros buscadores no caminho da autorealização. Swamiji abandonou conscientemente seu corpo (Mahasamadhi) em 23 de novembro de 2001.
10 Eremitério Hindú onde sadús e discípulos habitam e praticam disciplinas espirituais e exercícios Yóguicos. 11 Karma Yoga é o caminho espiritual onde o devoto realiza Deus através do trabalho altruísta, isto é, sem interesses egoístas, pelo bem do seu próximo. Esta prática é adequada para a maioria das pessoas a até mesmo um pouco dela modifica o coração, livrando-o do medo e preparando o terreno do Antahkarana (instrumento interno tal como a mente, intelecto, ego e a mente subconsciente.) para receber a semente de Jnana. 12 Jnana Yoga é o caminho espiritual onde o devoto realiza Deus através do conhecimento e meditação profunda no Ser, ou Atma.
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Parte 1 YOGA E MEDITAÇÃO
Os Fundamentos Filosóficos do Yoga
Eu colocarei em termos simples o que deve-se considerar como o objetivo central da vida humana e a possível metodologia que pode-se adotar para alcançar este objetivo, e sua realização.
Você já deve ter ouvido falar bastante sobre o que é conhecido por Yoga. E muitos livros, muitas palestras devem ter lhe dado informações variadas sobre esta misteriosa técnica conhecida como a arte da prática do Yoga. Em termos simples, sem envolver jargões técnicos, se Yoga for definida, pode-se chamar de o sistema da harmonia. O que você chama de harmonia na língua Portuguesa, por exemplo, Yoga é em Sânscrito. Não é nada mistificado ou além da concepção da compreensão humana. Mas existe uma grande condição nesta simples definição de Yoga como harmonia. Enquanto é verdade que harmonia em todos os campos da vida é o que buscamos em nossa existência diária, é necessário saber o que harmonia realmente significa. E quando os princípios básicos deste simples fato chamado harmonia são absorvidos em nossa consciência, nossa personalidade torna-se estável. Estabilidade da personalidade, equilíbrio de consciência, harmonia nas coisas da vida, é Yoga.
Agora, harmonia implica em um ajuste de si mesmo em um ambiente que é externo a você. Quando não há um ajuste adequado de alguma coisa com outra coisa, nós chamamos de desarmonia. Quando existe um ajuste adequado, o fluir suave de um princípio, um fato, um objeto, uma pessoa com outra, nós consideramos isto como harmonia. Agora, a pergunta que deve surgir em sua mente de imediato é, por que harmonia deve ser o objetivo central; por que harmonia deve ser considerada indispensável na vida?
A razão é a própria estrutura do universo. O universo é um sistema de harmonia. Nós, como indivíduos humanos, formamos parte deste universo. Nós somos parte dele de tal forma que estamos integralmente relacionados a ele. Antes de prosseguir mais, seria proveitoso saber o que é ser integralmente relacionado com qualquer coisa no mundo. Eu vou tentar dar-lhe um exemplo de uma experiência comum. Você já deve ter visto pilhas de pedras no acostamento das estradas. Uma pilha de pedras é um grupo de pequenas unidades de matéria inanimada colocadas juntas em um lugar. Nesta pilha de pedras, talvez, cada pedra esteja tocando todas as outras pedras. Apesar de cada peça de matéria inorgânica chamada pedra nesta pilha estar conectada por meio de contato com cada outra pedra na pilha, nós não podemos dizer que qualquer pedra em particular está integralmente relacionada a cada uma das outras pedras na pilha. Elas estão mecanicamente conectadas, não vitalmente relacionadas.
Existe uma diferença entre conexão mecânica e relacionamento vital, orgânico. O contato de uma pedra com a outra pedra na pilha é mecânico. Não há vida nesta conexão. Se você retirar uma pedra da pilha, as outras pedras não serão afetadas em nenhum modo. Elas permanecerão como são. Não haverá nenhum tipo de dano para as pedras restantes ou uma diminuição em sua estrutura, se algumas pedras forem removidas da pilha. Logo, um grupo mecânico é aquele em que partes estão relacionadas ao todo de modo que se algumas partes são removidas, as partes restantes não são afetadas nem um pouco. É isto que nós queremos dizer quando falamos em relação mecânica. Mas a relação orgânica é algo diferente. Nós podemos usar como exemplo o nosso corpo. Você sabe muito bem que nosso corpo físico é constituído de diminutos organismos chamados células. Estas células estão tão conectadas umas com as outras que elas dão a aparência de um todo chamado corpo, similar a pilha de pedras no acostamento da estrada, você poderia dizer, de uma certa forma. Mas qual a diferença? Enquanto a remoção de algumas pedras da pilha não afeta vitalmente as pedras remanescentes, a remoção de alguns membros de nosso corpo irá afetar todo o corpo. Você sabe o que seria de um indivíduo, um ser humano, se os membros fossem amputados, os braços e pernas removidos. Você remove uma parcela do corpo de uma pessoa e, que diferença faz! A própria existência do corpo é seriamente afetada. A harmonia do corpo é perturbada, para chegar ao ponto. É por isso que quando um membro do corpo é removido, existe intensa dor, agonia e aversão com relação a isto. Nós somos aversos a qualquer interferência em membros do nosso corpo, por que os membros estão vitalmente conectados como um todo no sistema de nossa personalidade.
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Então, agora, você sabe a diferença entre relação mecânica e relação vital. O que eu quero dizer é que nós estamos vitalmente relacionados com o cosmos, não mecanicamente conectados. Nossa conexão com o universo externo não é como a conexão da pedra na pilha, de modo que possamos fazer qualquer coisa sem afetar o mundo externo. Isto é impossível. Nossa conexão, nossa relação com o mundo externo é tal como a relação dos membros do corpo com todo o sistema do corpo. Qualquer intervenção no sistema não é avisada, nem requisitada. Para entender o que o universo seria , você tem que entender o que o indivíduo humano é. Na mitologia Védica Indiana, nós temos o conceito do que é conhecido por Purusha, o Ser Supremo. 'Purusha' significa homem, o indivíduo humano. Mas quando os Vedas falam do Purusha no cosmos, significa o conceito do universo como um único indivíduo, um Indivíduo Cósmico, o qual se relaciona com as partes do cosmos tal qual um simples e limitado indivíduo relaciona-se com os membros do corpo. Você consegue imaginar, por um instante, o que seria permanecer como um indivíduo cósmico? Suponha que você que é a consciência que anima o universo, como você conceberia esta possibilidade? Para fazer isto, novamente, você deve trazer a analogia do corpo humano. Você sabe que você é Inteligência, ou um centro de inteligência? Você pode me questionar como eu sei isto? Isto pode ser conhecido através de uma experiência. Você sabe que você é um todo completo chamado Sr. Fulano , Sra. Ciclana, e assim por diante. Quando você diz, "Eu sou uma pessoa assim e assado..." o que você quer dizer na realidade? À que você se refere? Às mãos, aos pés, ao nariz ou qualquer outra parte do corpo, ou todas as partes juntas: O que você quer dizer ao falar "Eu", ou o indivíduo que você é? Em um exame cuidadoso da situação você percebe que quando você refere-se a você mesmo como assim-assado, você não leva em consideração os membros ou órgãos do corpo. Por que, se a mão é amputada, você não diz que uma parte de você se foi. Você ainda permanece um indivíduo completo. Se duas pernas se vão devido a um tipo de cirurgia médica, o indivíduo ainda é completo. O indivíduo nunca sente que parte de sua personalidade se foi. Ele irá dizer que uma parte do corpo dele se foi, mas não uma parte dele mesmo. Ele ainda pensa como um ser completo. De outro modo, se os membros do corpo fossem uma parte essencial da personalidade, então, quando as pernas fossem amputadas, por exemplo, a pessoa iria pensar em um percentual menor. Teria-se um meio pensamento, um quarto de pensamento, um terço de pensamento e assim por diante. Mas isto não ocorre. Há um pensamento completo, uma compreensão completa, a consciência completa permanece intacta, no caso dos membros serem amputados ou removidos. Isto mostra que você não é os membros do corpo. Você é algo independente destes membros que constituem sua forma externa chamada de corpo. Você é uma inteligência ou ser espiritual. Você é um centro de consciência que anima este corpo, pois a amputação de membros do seu corpo não afeta a sua personalidade. Você é essencialmente consciência.
Agora, o conceito do Virat-Purusha ou o Ser Cósmico, o qual mencionei como relatado nos Vedas, é somente uma extensão deste conceito de consciência individual para o cosmos. Você pode fechar seus olhos por alguns segundos e imaginar que ao invés de ser um centro de consciência animando este pequeno corpo, você é um centro de consciência animando todo o universo? Você conseguiria expandir sua imaginação a esta extensão? Como você faz isto? Isto pode ser feito com um pouco de esforço da mente. Eu vou dizer-lhe esta técnica. A consciência que você é, a qual anima cada parte do seu corpo, - mãos, pés, dedos, nariz, olhos, etc. - esta consciência que você é, a qual habita em seu corpo individual, é tão uniformemente presente em cada parte do seu corpo que poderia se dizer que você está presente em cada parte do seu corpo. Você está presente em seus dedos das mãos e dos pés, você está presente em seu nariz, e assim por diante. Você, como um todo completo, está presente em todas as partes do seu corpo. Agora, você poderia estender esta analogia, ou comparação a todo universo? Apenas imagine que sua consciência não está meramente nos seus dedos das mãos ou dos pés, mas está também nesta mesa que você vê a sua frente, está também na cadeira, está na montanha, no sol e na lua, na galáxia, etc.
Se você puder estender sua imaginação desta forma, se sua consciência puder exceder os limites da sua personalidade corporal, e se você estender este caráter pervasivo da consciência além da limitação da sua personalidade corporal e concentrá-la em todos os objetos do mundo, você torna-se um Indivíduo Cósmico. Isto é Contemplação Yóguica, Meditação no sentido mais elevado do termo. Este é o ápice que você alcança após vários estágios de meditação.
Esta é uma técnica difícil, pois você não vai conseguir, normalmente, expandir sua consciência para outros objetos no mundo. Nós temos um preconceito, um velho hábito de pensar que os objetos estão fora de nós. Mas, você sabe que seus dez dedos estão fora de você? Eles são objetos; você pode vê-los assim como vê qualquer outro objeto no mundo. Se estes dez dedos (Ex. estes objetos) podem ser tornar parte de sua personalidade, então por que não devem os outros
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objetos no mundo se tornar parte de sua personalidade? Eles não se tornam, porque você limitou sua consciência por causa de um velho preconceito de pensamento. Preconceito é irracional, ele simplesmente se afirma por si mesmo, ele não é receptivo à razão. Por que você deveria limitar sua consciência ao seu pequeno corpo? O quê você ganha? Por que não a estende para outras pessoas? Por que você não sente que todas as pessoas sentadas aqui são parte de um indivíduo social mais amplo (do mesmo modo que você se imagina como um indivíduo humano)? Por que você limita sua consciência para as pessoas sentadas aqui, vá além para o vasto mundo e imagine que você é o indivíduo mundial! Este indivíduo mundial é a religião chama de Deus.
As pessoas perguntam, "Deus existe?" Esta é uma pergunta sem sentido. Se o mundo existe, Deus deve existir, porque Deus é somente um nome que você dá para a Consciência que reside em todo universo, assim como a consciência reside em sua própria personalidade individual.
Você pode perguntar, "Como você sabe que existe Consciência em todos os lugares?" Eu pergunto a você, "Como você sabe que seu amigo tem consciência?" Você sabe que você tem consciência, mas você não pode ver a consciência em seu amigo. Mas você assume pela atividade inteligente presente nele que ele tem consciência. Do mesmo modo, pela atividade do cosmos, nós podemos assumir a presença de uma Inteligência Cósmica.
Agora, esta Inteligência Cósmica, presente em todos os objetos, é o que é chamado de Deus, o Ser Supremo. Você chama isto de Absoluto, porque é Consciência Completa, e não existe nada fora dela. Quando existe alguma coisa fora dela, você chama de consciência relativa. Quando não existe nada fora dela, e é o Todo no Todo, que a tudo permeia você chama isto de Consciência Absoluta.
Agora, você é parte da Consciência Absoluta, porque você é parte do universo. Você é uma parte orgânica com universo, não uma parte mecânica (como a pedra na pilha). Você está vitalmente relacionado ao cosmos com um todo, então você é parte essencial do cosmos.
Desta análise nós chegamos à conclusão estarrecedora de que o universo como um todo pode ser comparado a um vasto indivíduo. Isto é o que os Vedas chamam de Parama-Purusha ou Ser Supremo. Quando eles usam tais termos nos textos, o que eles querem dizer é que nossa salvação está condicionada em sermos amigáveis com o universo como um todo.
A saúde de um dedo de seu corpo depende da saúde do corpo como um todo. Suponha que o corpo todo está sofrendo de febre tifóide, pode o dedo estar saudável? Não, o dedo também será afetado pela mesma enfermidade, porque ele está vitalmente relacionado ao corpo como um todo.
Da mesma forma, o que quer que seja o universo, isto também você é. O universo é um perfeito equilíbrio de forças; e então, visto que você é parte integral deste perfeito equilíbrio de forças, que é o universo, você sabe como você tem que conduzir-se na vida. Você não pode suportar, em nenhum momento de sua vida, violar a lei do universo. Você deve permanecer pela lei do cosmos, a qual é Samatva, ou distribuição imparcial de atitude. Yoga é definida no Bhagavadgita como Samatva. Harmonia é Yoga. Bhagavan Sri Krishna, o Super-homem do Oriente, diz: 'Samatvam Yoga Uchyate' (Gita 2-48). Esta é uma definição muito simples, sem ambigüidade e não-sectária do Yoga. Harmonia e equilíbrio são Yoga.
O que é harmonia? Harmonia não é nada mais do que o seu ajuste com o cosmos. Se você está ajustado adequadamente ao universo, é dito que você está em harmonia com o universo. Porém se há um desajuste com o cosmos, você é arremessado como um indivíduo. Agora, o simples fato de você ser capaz de ver os objetos fora de você com seus sentidos como algo separado completamente de sua personalidade mostra que você não está adequadamente ajustado com o cosmos. Você não consegue enxergar uma célula do seu corpo como algo externo, porque é uma parte essencial da sua própria existência. Deste modo, se nós somos capazes, pelo poder da força de vontade e concentração, de visualizar o mundo como essencialmente relacionado à nossa consciência, nós estaríamos automaticamente em um estado de meditação.
A substância do mundo não é matéria ou material inorgânico. Existe uma idéia errônea entre a maioria das pessoas de que o mundo é feito de matéria morta não-inteligente. Não é assim. Você não pode ver consciência com seus olhos. Você não pode ver a consciência ou inteligência em outra pessoa. Como você pode ver a Consciência no mundo externo? Mas, assim como é possível deduzir a presença de consciência em outro indivíduo pela sua atividade, você também pode deduzir a presença de Consciência no universo pela análise de uma atividade peculiar chamada percepção.
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